Quando a criança se descobre canhota ou destra

13 dez

Por Ricardo Azarite

Axiomas políticos de hoje em dia:

#1 O PT era de esquerda, hoje é tão de direita quanto o PSDB.

#2 De direita temos PP e DEM e de esquerda temos PCO e PSTU, o resto é tudo a mesma coisa.

#3 Os governos FHC e Lula foram, se não idênticos, muito parecidos.

#4 O PMDB é o que a gente pode chamar de “extremo centro“.

Os termos “esquerda” e “direita” surgiram na Revolução Francesa e faziam referência à posição física onde sentavam os defensores dos jacobinos (esquerda) e girondinos (direita). Eram duas frentes políticas com objetivos diferentes; cada uma delas gerou a sua própria “escola”, que, no Brasil, se resumem nos ícones PT e PSDB – brasileiro, como se sabe, se sente mais confortável com um maniqueísmo, que facilita a leitura do cenário político vigente.

Naquele momento histórico, a diferença entre as partes era clara, a ideologia  se referia ao método de governar um novo sistema político. Com o passar dos séculos, opções de modos de governar de ambas as “escolas” foram postas em prática, de modo que pontos positivos de cada uma das técnicas foram sobrepostas sobre pontos negativos, atingindo uma práxis mais homogênea – reitero, essa homogeneidade é referente ao modo de fazer política e fazer-se governo. PSDB e PT são igualmente corruptos, mantém a mesma relação amistosa com banqueiros, mantém metas muito parecidas e jogam nos bastidores de modo muito similar.

Contudo, eu acredito que ainda há uma diferença fundamental entre esquerda e direita: táticas de se fazerem eleitos (com quem e como falar durante as eleições). É uma teoria muito pragmática (o que é bem coerente comigo). Tanto a esquerda quanto a direita precisam de votos, como eles conseguem isso é onde faz transparecer a opção política maniqueísta.

O discurso da direita é voltada para o Estado que traz sucesso econômico, que traz o progresso, que faz o bolo crescer; enquanto que a esquerda opta pelo discurso de que a vida para o pobre está mais fácil, que a desigualdade social diminuiu, que o bolo foi repartido.

Sim, esquerda e direita são iguais: fazem de tudo pela eleição – ou pela manutenção do poder – o que muda é “só” a estratégia para alcançar esse objetivo – e essa estratégia é delineada nas políticas públicas feitas por cada um dos lados.

P.S.: o PMDB, nosso “extremo centro” tem como tática para manter o poder estar aliado aos partidos de peso eleitoral, tanto de direita como de esquerda.

Esse post veio depois de ter lido ao tweet gênio do jornalista Leandro Demori (@braziu), quem eu sigo pelo prazer de contrariá-lo.

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2 Respostas to “Quando a criança se descobre canhota ou destra”

  1. Borbas 14 de dezembro de 2010 às 13:17 #

    Li um artigo muito legal sobre pemedebismo, vale a leitura http://www.politikaetc.info/2010/12/sobre-o-pemedebismo.html

  2. Carlos José 14 de dezembro de 2010 às 22:23 #

    Péssima mesmo essa mania que nós temos de dicotomizar tudo, transformando em antagônicos sujeitos que nem estão tanto nessas posições. É muito triste ver como princípios ideológicos que deveriam nortear posicionamentos e ações resumem-se ao discurso eleitoral nos dias de hoje.

    Peraí, nos dias de hoje?
    É, não sei.
    x)

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