Clap clap, jornalismo

24 out

Por Ricardo Azarite

Assistam a esse vídeo aqui e me digam que não é um discurso exemplar, digno de prêmios no jornalismo. Duvido que alguém dê um “ah!” contrário:

Eu vi pela primeira vez e achei um caso muito bonito, daqueles raros momentos em que me orgulho do curso que, infelizmente, ainda faço. Todos são contra a censura até o momento em que o emprego que paga o alimento de toda a família entra em jogo, por isso a grandeza da decisão do jornalista. Bem, antes de continuar a falar sobre o caso, farei um resumo dos personagens:

Já conseguem imaginar o imbrólio que é isso, né? Um grupo de comunicação cujo diretor é filiado ao partido que disputa o segundo turno decide censurar um programa a fim de obter vantagens eleitorais diante de seu concorrente. Um jornalista, aparentemente muito bem intencionado, decide escancarar essa situação corrupta ao vivo. Glória!

Mas nem tudo que reluz é ouro. Olhem só esse link aqui: http://goo.gl/29zs. Paulo Beringhs, nosso herói, é filiado ao PSDB, partido da vítima da censura, o candidato Marconi Pirilo. O Estadão, jornal serrista e o mais próximo do que se chama “transparência”, também noticiou isso.

Censura é uma agressão à sociedade e a Agecom, bem como os envolvidos – pessoas públicas ou não -, deve ser punida por isso. Sobre isso não há discussão.

O que quero levantar aqui é a digníssima indignidade de Paulo Beringhs. Em momento algum do Código de Ética do Jornalista é descrita a impossibilidade de se filiar a um partido político, apesar desse deixar bastante claro que, por exemplo, o jornalista não pode incitar a intolerância e o arbítrio (Art. 7° V) ou usar-se do ofício para obter vantagens pessoais (Art. 7° IX). É evidente que o ato de expor uma grosseira censura tem, nesse caso, implicações políticas – principalmente numa situação em que a censura afeta negativamente o partido ao qual eu, jornalista, me filio.

No pouco que posso falar sobre jornalismo, acho que aquele que se submete a qualquer condição (no caso, uma posição política) deve deixar isso exposto ao espectador, para que consiga decidir quando o partido fala ou o jornalista fala.

Devo admitir que essa foi uma das maiores decepções que eu já senti. É engraçado que eu não sinta uma decepção ainda maior com a censura imposta pela situação…

Anúncios

2 Respostas to “Clap clap, jornalismo”

  1. Henrique Costa 25 de outubro de 2010 às 11:51 #

    Clap Clap Clap!

  2. )borbas( 4 de novembro de 2010 às 1:11 #

    Em tempo: olha nessa matéria do Estado de S. Paulo qual é o naipe do Perillo…http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101103/not_imp633887,0.php

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: