Mudamos!

14 fev

NOSSO NOVO ENDEREÇO: www.4poderes.com.br

SIGA O TWITTER @4_poderes

A Bomba e o Lenço

1 fev

por Henrique Costa


Dilma Roussef, foi hoje à Argentina se encontrar com a presidente dos nossos hermanos, Cristina Kirchner. Dentre os assuntos tratados no encontro, dois chamam a atenção.

O Acordo Nuclear

Acordo Brasil e Argentina

Como tornou-se de praxe, desde Lula, o governo brasileiro tenta, cada vez mais, estreitar as relações com os países latino americanos. Coerente com isso, Dilma inicia seu governo firmando um importante acordo com nossa hermana Argentina, visando o desenvolvimento tecnológico de ambos os países, sobretudo na questão energética.

Além da aproximação com nossos vizinhos, esse acordo é importante por vários motivos. Primeiro porque, com o capital investido no Brasil, as indústrias no país crescem e, sem atualização do nosso sistema de produção de energia, esse crescimento pode ser barrado.

Depois, como demonstrou o apagão em 2009, quando a nossa principal usina – a hidrelétrica de Itaipú – falhou, nosso setor energético está desatualizado e extremamente concentrado, de forma que uma pequena falha pode prejudicar muito nosso desenvolvimento através de apagões semelhantes.

Não por acaso, a Petrobrás e o pré-sal se tornaram questão central nos debates presidenciais. São hoje, o principal foco de investimento do nosso setor energético.

Entretanto, como dito, isso não basta. O petróleo é uma fonte não-renovável e concentrar as atenções somente nele e em seus derivados seria correr o mesmo risco que corremos com Itaipu.

Por isso o desenvolvimento de nossa tecnologia nuclear é extremamente importante. Não para produzir bombas destruidoras, como diriam os mais reacionários seguidores de Enéas, mas para diversificar nosso meio produtivo.

Nossas experiências no setor nuclear até hoje são concentradas nas usinas de Angra, onde foi utilizada tecnologia atrasada, com pouco conhecimento técnico dos nossos profissionais, motivo pelo qual elas muito ineficientes com relação ao seu tamanho e impacto ambiental.

Hoje, ao redor do mundo, as usinas nucleares se desenvolveram e, mais compactas, podem acabar com a concentração energética do nosso país. São fontes poluidoras e não renováveis, mas são muito mais maleáveis do que as nossas hidrelétricas, além de ser um setor pouco pesquisado por nosso país.

Na reunião com Cristina Kirchner, portanto, Dilma acerta em cheio, reforçando os laços com nossos vizinhos e dando importantes passos para nosso desenvolvimento.

Observação Importante: Resta saber, ironizando, claro, se os EUA não dirão que estamos querendo construir bombas nucleares.

Abertura dos Arquivos da Ditadura

Mulheres contra a Ditadura

O encontro das presidentes se deu num importante marco, a Praça de Maio, onde recebeu lenços de diversas mulheres que perderam entes durante a ditadura militar argentina.

Este evento, ao meu ver, é mais um que me dá esperanças quanto o enfrentamento em nosso país de questões ainda não resolvidas da nossa ditadura militar.

Ao contrário do que diziam muitas das campanhas difamatórias nas eleições presidenciais de 2010, Dilma não é, nem foi terrorista. Ela enfrentou a ditadura militar, tendo sido presa e torturada à época, como inúmeros outros brasileiros que, privados de todo tipo de liberdade de expressão e pensamento, pela dura repressão.

Por vias corretas ou não, Dilma, como milhares de brasileiras, atuou em legítima defesa contra um sistema ditatorial criminoso que eliminou e apagou da memória brasileira, inúmeros cidadãos que esboçaram desafiá-la, mesmo através da palavra.

De todos os países da América Latina reprimidos por seus governos, o Brasil é dos únicos que, até hoje, não abriram seus arquivos da Ditadura Militar a fim de apurar e investigar os crimes contra o Estado cometidos pelos ditadores, ou o paradeiro das centenas de milhares de desaparecidos à época.

Por isso, denovo, essa aproximação com a Argentina, e a simbologia dos lenços entregues a Dilma casam completamente com a esperança de ter nossa história recuperada ou, no mínimo, esclarecida para nosso país.

Além dos brasileiros desaparecidos, os simbólicos lenços denunciam outros latino americanos desaparecidos no Brasil à época. Apesar das recentes declarações de ministros de Dilma, alimentam a esperança de que nossa presidente, participante efetiva da luta contra a ditadura militar, ajude a recuperar parte da nossa história, desconhecida por grande parte da população.

Se atender aos pedidos dessas mulheres argentinas, Dilma atenderá a uma enorme parcela da nossa sociedade, que viveu o período da repressão e até hoje não se sente livre de alguns de seus fantasmas, como a convivência com seus tortudadores ou o desconhecimento do paradeiro de alguns de seus entes.

Além disso, recuperará nossa história, de forma a evitar discussões destemperadas, ignorantes, desinformadas e desinformativas, como aquela apresentada a partir da campanha difamatória contra Dilma, na qual ela foi chamada de terrorista.

Marginal nova, notícias velhas.

30 jan

Por Vitor Nisida

No ano passado, as novas pistas da Marginal Tietê foram entregues pelo governo do estado como um dos principais investimentos públicos em transporte para melhorar o trânsito da capital paulista. Na época, especialistas já faziam apostas se as melhorias e a fluidez da nova marginal durariam apenas 2 ou 3 anos. Um ano depois, já é possível entender o projeto como um equívoco – mesmo sem ser um expert na área.

Inicialmente anunciadas com o custo de R$1,2 bi, as obras de ampliação da Marginal Tietê chegaram aos R$1,9 bi e levantam a seguinte questão: com tantas enchentes, congestionamentos, pontos de alagamento, quilômetros de lentidão, será que dirigir recursos dos cofres públicos a um projeto como este foi a escolha certa?

A pesquisa de Origem/Destino realizada em 2007 mostrou que 36% da população da Grande São Paulo utiliza o transporte coletivo e que 33% realiza suas viagens a pé. Menos de um terço (30%) da região metropolitana se locomove com seu automóvel e, tendo em vista que apenas 13% das famílias possui mais de um carro, não é difícil concluir que investimentos públicos voltados ao transporte motorizado individual não constituem uma política que favorece a maioria das pessoas. Um projeto como a Nova Marginal prioriza, claramente, um grupo da sociedade que tem maior renda e independe do sistema de transportes público para a locomoção.

A Cidade do México, que é tão grande quanto São Paulo e iniciou a construção de sua rede metroviária no mesmo ano que a capital paulista, tem hoje 201,3km de metrô. São 132 a mais que os 69km do metrô paulistano. As duas cidades têm o mesmo carregamento diário de passageiros para uma diferença de extensão entre as duas malhas bastante gritante. Não é à toa que se repetem as cenas de caos diário em estações com grande fluxo como a Sé.

E apesar do quadro de atraso, os esforços do poder público vão na contramão do que se espera das políticas públicas necessárias para equacionar o problema da mobilidade nesta cidade que tem quase 18 milhões de habitantes. Os bilhões jogados na Marginal Tietê são exemplo disso e, mais recentemente, o aumento da tarife do ônibus no Município de São Paulo para R$3,00 também.

Uma das justificativas para a construção das novas pistas de rolamento é a melhor fluidez não apenas de automóveis, mas também dos veículos pesados de carga, que atravessam a capital para seguir viagem pelas rodovias de interligação regional. Esse mote contraria a lógica da construção do Rodoanel (conduzir o fluxo de cargas para fora da cidade) que deve ter o seu tramo norte, nos próximos anos, para desempenhar essa função. A nova marginal estaria cumprindo um papel provisoriamente e de maneira inadequada, dando mais condições para a fluidez de cargas dentro da cidade a um custo de vários corredores de ônibus ou o da conclusão de uma das linhas pendentes do metrô paulista.

Até mesmo quem usa a Marginal Tietê e dirige por ela diariamente para ir da casa ao trabalho e vice-versa, deve se perguntar se sua ampliação é um investimento válido. Insistir no mesmo padrão rodoviarista, baseado na ocupação urbana das várzeas dos córregos e rios onde só circula quem tem automóvel, impermeabilizando áreas que deveriam estar livres para a dinâmica natural de alagamento dos corpos d’água é tão estúpido quanto inaceitável.

Ampliar uma via para melhorar o fluxo de veículos dá resultados em um primeiro momento, porque atende a uma demanda por espaço de circulação, que é definida por essa matriz do automóvel; do transporte individual. Entretanto em um segundo momento a infra-estrutura de transporte (que pode ser uma via, uma linha de metrô, trem, etc)  funciona como um indutor da expansão urbana e da ocupação do território.

Portanto uma nova via, ou uma via ainda maior, apesar de corrigir uma defasagem entre demanda e condições de locomoção, acaba induzindo a ocupação de modo a invalidar, no futuro, o investimento feito, criando uma sobrecarga de veículos estimulada por sua própria existência. Uma via ainda maior na várzea de um rio ou de um córrego induz mais gente morando, mais gente trabalhando, mais gente circulando em áreas alagáveis e dependendo mais e mais de um sistema frágil que todo verão entra em colapso com as chuvas e enchentes.

Todo investimento em transporte (ou em sua infra-estrutura) deve ser contemplado como um instrumento de planejamento da estruturação urbana de qualquer cidade, determinando, entre outras coisas, a forma, a intensidade e o direcionamento da ocupação do solo urbano. Optar por estruturar o sistema viário principal de uma metrópole de 18 milhões de pessoas, incompatível com o transporte individual, é um equívoco. Insistir em políticas e investimentos rodoviaristas em um centro urbano tão imenso e com tantas pessoas para circular e usufruir da cidade é irracional.

Veja aqui um infografo dos rios de Sampa que viraram ruas e avenidas.

 

Política, governo, internet e mídias sociais combinam?

20 jan

Por Ricardo Azarite

Dois dos assuntos que sempre me despertaram muito interesse são Internet e política. Recentemente tenho visto a importância de aliar ambos os assuntos e como fazê-lo traria enormes facilidades para a democracia e para o governo – e governabilidade – de modo geral.

Continue lendo

A solução é privatizar

4 jan

Por Ricardo Azarite

Privatizar é uma das facas de dois gumes mais centrais na política brasileira. Por um lado a privatização estimula a concorrência, deixando com a “mão do mercado” a eliminação de empresas que não tragam um bom serviço a um bom preço – um quase “darwinismo econômico”. Por outro lado, uma economia privatizada dificulta qualquer tipo de regulação por parte do governo.


Continue lendo

Quando a criança se descobre canhota ou destra

13 dez

Por Ricardo Azarite

Axiomas políticos de hoje em dia:

#1 O PT era de esquerda, hoje é tão de direita quanto o PSDB.

#2 De direita temos PP e DEM e de esquerda temos PCO e PSTU, o resto é tudo a mesma coisa.

#3 Os governos FHC e Lula foram, se não idênticos, muito parecidos.

#4 O PMDB é o que a gente pode chamar de “extremo centro“.
Continue lendo

“Proibido Parar”

17 nov

Eu poderia dizer alguma coisa sobre este vídeo, mas as falas do pessoal da rua já são suficientes. E tem até legenda. Então não precisa falar nada mesmo. Continue lendo